| Desafio das serras
Dia 2 de novembro, sexta-feira a tarde, tudo pronto para
o desafio das serras.
Pouco
antes da largada a expectativa era grande entre todos os atletas,
a previsão de uma prova com duas noites sempre deixa
a todos ansiosos, e por se tratar da final do campeonato (CPCA),
as equipes de ponta estavam dispostas a ir para o tudo ou
nada. Nós, da SOS TABATINGA não tinha-mos nada
a perder, nossa posição no campeonato, 3º
lugar, estava praticamente garantida, e sabíamos o
que fazer para conseguir a segunda colocação
no campeonato, era necessário ficar entre os três
primeiros colocados e na frente da EXTREMOS (segundo colocado
no CPCA).
A largada foi às 3h da tarde, com um leve atraso,
como o dia já estava acabando, sentamos o bamboo, porque
navegação nunca foi o forte da SOS, “galera,
vamos sair forte, assim agente aproveitava a luz do dia”
eu disse a equipe. A largada foi dada, todos saíram
feito louco, ignorando os mais de 200 km de serra que estavam
por vir. Praticamente lideramos o 1o trekking, com algumas
trocas de posições nos PCs, na última
subida aceleramos um pouco mais e nos distanciamos um pouco
da TAPUIA e das outras equipes, entramos no primeiro AT (PC
06) e pegamos a bike em 1o lugar, ainda era dia, disparamos
para o 1o pedal, tudo deu certo e chegamos à primeira
travessia em primeiro (AT2/PC08), todos da equipe estavam
muito bem, saímos da água em primeiro, já
com algumas equipes por perto, e disparamos novamente para
o pedal.
Nessa hora tomamos nossa primeira decisão errada,
já era noite e resolvemos não arriscar, fizemos
um percurso mais longo, sempre pelo estradão, o q nos
custou uma posição, pois Tapuia foi pela trilha,
e se deu bem!
Batemos o PC 09 em segundo, acabamos por desanimar um pouco,
mas logo recuperamos nossa estima e já estávamos
tentando tirar a diferença na força.
Seguimos até JAPI, (PC 15/AT 05), deixamos a bike
e saímos para o segundo trekking, o mais difícil
em nossa opinião, uma navegação um tanto
quanto complicada, subidas gigantescas com pedras e a escuridão
da noite eram fatores que complicavam a navegação.
Depois de algum tempo perdidos, achamos o rumo certo, nessa
hora encontramos com a galera da DIRECTION, e vimos que eles
também tiveram problemas. Encontramos o PC juntos e
eles saíram na nossa frente, neste momento ficamos
em 3º lugar na prova.
Agora era hora de começar a descer a serra em busca
do PC 14, na base. Já havia amanhecido, fizemos uma
navegação rápida e precisa, decidimos
bater o PC 14 e voltar pelo mesmo caminho até JAPI,
de certo, conseguimos recuperar nossa posição.
Pegamos as bike e partimos para um dos trechos mais irados
de bike durante a prova, no briefing já tinha sido
avisado dos downhills que vinham pela frente, que era para
ter cuidado, mas frear na hora mais divertida não é
com a SOS, soltamos os freios e descemos com tudo.
Mas como tudo que desce tem que subir, enfrentamos algumas
das piores pirambeiras da prova. No alto da serra fomos recompensados,
encontramos uma senhora que vendia DINDIN, o sol torrava o
juízo, mas o dindin gelado nos encheu de gás
de novo.
O pedal foi tranqüilo até o AT 06/ PC 19, onde
encontramos com nossos amigos PCs, deixamos as bikes e partimos
no trekking para o monte das gameleiras, nesse momento fomos
informados que a Tapuia já tinha algumas horas de vantagem,
e agente tinha que agilizar pra conseguir buscar eles. Este
PC também era o primeiro ponto de corte da prova, saímos
do PC faltando menos de uma hora para o corte, achamos que
mais nenhuma equipe conseguiria passar e acabamos por relaxar
bastante. A navegação não era muito difícil,
mas tivemos a sorte de encontrar uma pessoa no meio de um
vale sem nada, um lugar bastante remoto, mas que nos indicou
a subida (e que subida) para o monte, subimos pela ravina
e batemos de frente com o PC 21. No PC fomos informados que
ele “achava” que mais ninguém tinha conseguido
passar o corte, neste momento tivemos que ter muita cabeça
para não comemorar e ir comer um PF no monte das gameleiras.
Mas paramos pra comer uma dúzia de cachorro quente.
Fomos até o topo da serra, batemos o último
PC virtual e começamos a descer a serra, em direção
às bikes. Já era noite e começamos a
ver alguns headlamps vindo em nossa direção,
achamos estranho alguém estar subindo por ali, quando
nos aproximamos vimos que era algumas equipes que foram cortadas
e já estavam de bike. Paramos para conversar e descobrimos
que o ponto de corte tinha sido entendido em 2 horas, com
isso, cinco equipes conseguiram passar. Foi um choque, a prova
continuava e agente tinha que garantir nossa posição.
Aceleramos o passo em direção as bikes.
Pegamos as bikes, ainda no AT vimos q a bike de Welkey tava
com o pneu furado, beleza, trocamos e pegamos nosso rumo (errado),
isto é, olhando a carta, vimos que havia um caminho
mais longo, porem sem subidas , em direção ao
PC 24, fomos por dentro de uma vale na Serra da Tapuia, uma
área totalmente desabitada, ainda no início
da trilha vimos que a escolha não era muito boa, pois
a trilha era por cima do leito seco de um rio, quase impedalável.
Pensamos em voltar e subir a serra das gameleiras empurrando
a bike, como os outros, mas decidimos arriscar, achamos que
a trilha melhoraria a frente, erro nosso.
Continuamos na garra, pelos trilhos de pneus vimos que a
Tapuia tinha escolhido o mesmo caminho que agente, a trilha
estava cada vez pior e cada vez mais indefinida, não
tinha lua no céu, e não dava pra enxergar nada
do relevo.
Quando tudo parecia que estava ruim, piorou, começamos
a furar pneus, um a traz do outro, quando havíamos
furado 8, acabaram as câmeras de ar novas.
Pior não pode ficar, nos pensamos, mas aí eu
checo o azimute, a trilha se acaba e eu falo “galera,
estamos perdidos, vamos ter que voltar”. Neste mesmo
momento ouvimos vozes, achamos que o monstro do sono já
estava pegando agente, ali perto não tinha nada. Começamos
a voltar quando o Welkey diz, “tem uma luz ali”,
achei que ele tava doido de vez, mas que nada, tinha mesmo,
uma luz fraca, amarelada, e duas ou mais pessoas falando.
Começamos a gritar para ver se alguém respondia,
mas nada de resposta. Alguns minutos depois, saem da mata
3 caçadores esfarrapados, com uns 12 cães magros,
olham pra nossa cara e dizem “vocês são
doidos, o que tão fazendo aqui de bicicleta uma hora
dessas, aqui não tem nada”, ainda inventaram
uma estória de onça pra assustar agente.
Dissemos que agente tinha que ir para o assentamento, eles
mandaram agente atravancar até achar uma porteira,
que depois dela a trilha era definida e ia pra lá,
mas nos disseram também para ter cuidado com os espinhos
que furavam pneus (como se agente ainda não tivesse
descoberto).
Nesse momento ficamos aliviados, pelo menos agente ia chegar,
já não sabia em que posição ou
que horas, mas agente ia chegar. Continuamos nosso caminho
e…
…mais um pneu furado, agora não dava mais, tinha
que remendar, resolvemos parar e remendar todas as câmaras,
visto que agente ia furar tudo de novo. Passamos um bom tempo
fazendo isso, arrumamos a tralha e fomos em frente, uns 100
metros a frente acaba a trilha e começa uma estrada,
pronto, agora é bater o PC 24. Nos localizamos na carta,
mas a estrada que os locais diziam levar ao assentamento não
coincidia com a do mapa. Ficamos parados pensando o que fazer
quando aparecem uns headlamps, esperamos pra ver quem era.
Quando as luzes se aproximaram vimos que eram os nossos amigos
da 4elementos, eles vinham fazendo uma prova tranqüila,
pois já tinha garantido o primeiro lugar no campeonato
2007, descobrimos que nós estávamos em 2º
e 3º respectivamente, com nosso erro perdemos 1 posição.
Cleidilsson, vulgo TAZ (4elementos), disse que sabia chegar
no PC e saiu pedalando feito uma bala, saímos todos
atrás dele, depois de dar umas cabeçadas achamos
o PC 24, o infeliz do PC 24, o #%&”/”%$ do
PC 24.
Nesse momento decidimos acompanhar a 4elemntos até
o próximo PC, o loco to TAZ saiu em disparada de novo,
subindo uma serra gigante, ele parou um pouco e todos nós
continuamos, depois de muita subida ouvimos o grito dele mandando
agente descer, pois o caminho estava errado, minha equipe
me perguntou se agente estava errado realmente, se era pra
descer, eu respondi, “simplesmente estamos fora da carta,
ferrou” descemos em direção ao psicopata
do Cleidilson. Karim (4elementos) cantou a pedra “quando
agente chegar lá em baixo ele vai dizer que estava
certo e mandar agente subir tudo de novo”.
Descemos tudo, o maluco do TAZ olha a carta com os olhos
esbugalhados e diz, “É melhor agente subir mesmo”.
Depois de todas as duas equipes xingarem ele, voltamos a subir,
em direção a Araruna (totalmente fora da carta).
Chegando lá, voltamos a descer pelo asfalto e encontramos
a bendita da entrada para a Serra de São Bento/Pedra
da Boca, agora eu tava em casa, sempre vou pra lá fazer
downhill.
Continuamos juntos até o PC 25, neste momento guardei
a carta, já sabia todo o caminho dali pra frente, descemos
a serra, mais um pneu furado, e chegamos à casa de
seu Tico, todos juntos.
Naquele momento decidimos ir com nossos amigos até
a chegada, pois se nós ou eles chegassem em segundo
lugar não mudaria nada no campeonato, e como eles nos
ajudaram com o PC 24, nos sentimos na obrigação
de ajudar eles agora que conhecíamos o terreno.
Chegando em Seu Tico, fomos fazer o trekking das cavernas,
como eu conhecia, fizemos um caminho de volta mais curto e
logo estávamos de volta no AT. Neste momento, todos
atrás de nós já haviam sido cortados,
a Tapuia estava com uma vantagem muito grande, então
relaxamos, comemos e nos demos ao luxo de dormir por quase
3 horas.
Quando estava amanhecendo acordamos com o barulho de diversas
equipes que tinham sido cortadas, virou uma bagunça,
uma grande confraternização, Fizemos um pequeno
trekking até o açude, apostamos uma corridinha
de natação com a 4elementos só pra instigar
e voltamos ao AT, onde comemos muito, muito mesmo.
Agora era só subir a serra, fazer a pista de orientação,
o rappel e chegar. A galera da 4elementos foi na frente, ficamos
para traz remendando mais 1 pneu.
Quando estava tudo pronto subimos a serra sem problemas,
fizemos a pista de orientação e fomos para o
Rappel, muito bonito e muito seguro, pegamos a bike novamente
e cruzamos tranquilamente a linha de chegada em terceiro lugar,
garantindo assim o Vice-Campeonato de 2007 para a SOS TABATINGA/NITRO.
Este resultado foi extremamente satisfatório para toda
a equipe, visto que todos são estreantes na categoria
expedição.
O desafio CPCA 2007 foi uma prova longa e dura, com terreno
muito acidentado e navegação nada fácil,
esse terceiro lugar, junto com a vitória na Expedição
carcará (323 km) vem confirmar a disposição
da equipe SOS TABATINGA em provas longas.
Bem galera, a prova pra gente foi assim, espero não
ter esquecido nenhum detalhe mais importante, abraço
a todos e até 2008.
David B. Taveira (navegador da SOS TABATINGA)
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